Por que muitos lojistas ganham movimento mas não ganham dinheiro
Você abre a loja todos os dias, atende muita gente, vê produto saindo da prateleira e o caixa girando. Mesmo assim, no fim do mês, sobra pouco ou quase nada. Se isso soa familiar, você não está sozinho: esse é um dos sintomas mais comuns de uma precificação feita no achismo.
O problema é que movimento não é o mesmo que lucro. Muitos lojistas confundem faturamento alto com saúde financeira, quando na verdade estão vendendo bastante com uma margem de lucro no varejo tão apertada (ou negativa) que cada venda contribui muito pouco para pagar as contas.
Quando você não sabe exatamente quanto custa colocar um produto na prateleira — incluindo todos os custos invisíveis — qualquer preço vira um chute. E o chute, na maioria das vezes, é para baixo, porque o medo de perder a venda fala mais alto. O resultado é um prejuízo silencioso que corrói o negócio mês após mês sem que você perceba de onde vem.
A boa notícia: entender como precificar produtos no varejo não exige contador, nem planilha gigante, nem fórmula de mestrado. Exige método. E é exatamente isso que você vai aprender aqui.
O que entra no preço de verdade (e o que a maioria esquece)
O erro número um da precificação para lojistas é pensar que o preço é apenas "custo do produto + uma margem por cima". Na prática, existem três grupos de custos que precisam ser considerados antes de definir qualquer valor de venda.
1. Custo do produto (custo de aquisição)
É quanto você pagou ao fornecedor pela mercadoria. Mas atenção: aqui também entra o frete de compra, impostos da nota e qualquer despesa para o produto chegar até a sua loja. Comprar a R$ 10 com R$ 2 de frete por unidade significa que seu custo real é R$ 12, não R$ 10.
2. Custos variáveis (saem a cada venda)
São despesas que só acontecem quando você vende. Os mais comuns são:
- Impostos sobre a venda (Simples Nacional, ICMS, etc.);
- Taxas de cartão e de maquininha;
- Comissão de vendedores, quando houver;
- Embalagem, sacola e frete de entrega;
- Taxas de marketplace, no caso de venda online.
3. Custos fixos (existem mesmo se você não vender nada)
São as despesas que chegam todo mês independentemente do movimento: aluguel, energia, água, internet, salários, contador, sistema, pró-labore. Esses custos precisam ser "diluídos" no preço dos produtos, e é justamente isso que a maioria dos lojistas esquece de fazer.
Quando você ignora os custos fixos na formação de preço de venda, acontece o clássico: as vendas pagam o produto e as taxas, mas não sobra o suficiente para pagar o aluguel e o seu salário. A loja vive, mas você não.
Como calcular o markup ideal para o seu tipo de loja
O markup para loja é o multiplicador que você aplica sobre o custo do produto para chegar ao preço de venda já considerando todos os custos e o lucro desejado. É a forma mais simples e rápida de precificar de maneira consistente.
A fórmula do markup, sem complicação
O markup é calculado em três passos:
- Passo 1: some todos os percentuais de custos variáveis e o lucro que você quer. Exemplo: impostos (8%) + taxa de cartão (3%) + custos fixos estimados (15%) + lucro desejado (20%) = 46%.
- Passo 2: subtraia esse total de 100. Ou seja: 100 − 46 = 54.
- Passo 3: divida 100 por esse número: 100 ÷ 54 = 1,85. Esse é o seu markup.
Agora é só multiplicar: um produto que custa R$ 12 vira R$ 12 × 1,85 = R$ 22,20 de preço de venda. Pronto, esse preço já cobre custos variáveis, custos fixos e ainda garante o lucro que você definiu.
Como descobrir o percentual de custo fixo
O único número que assusta o lojista é o percentual de custo fixo. A conta é simples: divida o total dos seus custos fixos mensais pelo seu faturamento médio mensal. Se você tem R$ 6.000 de custos fixos e fatura R$ 40.000, seu custo fixo representa 15% (6.000 ÷ 40.000). Use esse percentual no cálculo do markup.
Lojas diferentes têm markups diferentes. Uma loja de roupas costuma trabalhar com markup mais alto que um mercado de bairro, porque o giro e a estrutura de custos são distintos. Não copie o markup do vizinho: calcule o seu.
Erros clássicos de precificação que você provavelmente já cometeu
Se você está começando a organizar a precificação agora, é bem provável que reconheça pelo menos um destes erros:
- Precificar só pelo preço do concorrente: o custo dele não é o seu. Copiar preço é copiar prejuízo às cegas.
- Esquecer os custos fixos: o erro mais caro e mais comum, como já vimos.
- Confundir markup com margem: markup é aplicado sobre o custo; margem é calculada sobre o preço de venda. São coisas diferentes e misturá-las gera preços errados.
- Dar desconto sem saber a margem: aquele "vou fazer por R$ 18" pode estar transformando uma venda lucrativa em prejuízo.
- Manter o mesmo preço por anos: custos sobem, fornecedores reajustam, impostos mudam. Preço parado no tempo é margem derretendo.
Identificar esses erros já é meio caminho andado. O outro meio é corrigir os preços sem perder o cliente — e é disso que falamos a seguir.
Como revisar os preços sem afastar clientes
Muitos lojistas sabem que precisam reajustar, mas travam por medo de espantar a clientela. A verdade é que dá para corrigir a precificação de forma inteligente, sem choque para o consumidor.
Reajuste aos poucos e por categoria
Em vez de aumentar tudo de uma vez, comece pelos produtos com margem mais crítica ou pelos itens de menor sensibilidade ao preço (aqueles que o cliente não fica comparando centavo a centavo). Ajustes graduais passam despercebidos com mais facilidade.
Use o valor percebido a seu favor
Nem tudo se resolve baixando preço. Melhorar a apresentação do produto, o atendimento, a embalagem e a experiência de compra permite sustentar preços saudáveis. Cliente paga mais quando percebe mais valor.
Trabalhe com produtos âncora
Mantenha alguns itens muito competitivos para atrair e dar a sensação de loja barata, enquanto recompõe a margem nos demais. É uma estratégia clássica do varejo e funciona muito bem.
O segredo é tomar decisões com base em números, não em medo. Quando você sabe a margem real de cada produto, reajustar deixa de ser um susto e vira uma decisão tranquila.
Ferramenta gratuita: planilha de precificação passo a passo
Para colocar tudo isso em prática hoje mesmo, monte uma planilha simples (Excel ou Google Sheets) com as seguintes colunas:
- Produto;
- Custo de aquisição (com frete de compra);
- % de custos variáveis (impostos + cartão + comissão);
- % de custo fixo (o número que você calculou acima);
- % de lucro desejado;
- Markup (use a fórmula: 100 ÷ [100 − soma dos percentuais]);
- Preço de venda sugerido (custo × markup).
Com essas colunas, qualquer produto novo que chegar à loja já entra com preço calculado, não chutado. Em poucos minutos você tem uma base de precificação consistente para toda a operação — sem depender de contador ou de planilhas complicadas.
Atualize essa planilha sempre que houver mudança de custo ou imposto. Esse hábito simples protege a sua margem o ano inteiro.
Pare de precificar no escuro
Precificar no achismo é como dirigir de olhos fechados: você até anda, mas não faz ideia de quando vai bater. Com um método de markup que considera custo de produto, custos variáveis e custos fixos, você passa a tomar decisões com segurança e a enxergar o lucro real de cada venda.
Mas o preço certo é só o começo. Para saber se a sua loja está realmente lucrativa, você precisa enxergar seus números de venda de forma clara e contínua. É exatamente isso que a Turbini faz: ajuda lojistas a entenderem a lucratividade da loja usando dados reais de vendas, transformando informação solta em decisões que aumentam o lucro. Conheça a Turbini e descubra, com números, onde está o dinheiro que você anda deixando na mesa.

